Você sempre ponderou sobre a existência de pessoas otimistas. Parecia ilógico para alguém como você. Você não entendeu como eles eram inerentemente tão felizes. Você nunca viu a lente deles. Sua afirmação de que o copo estava meio cheio nunca fazia sentido.

Esses tipos de pessoas eram uma anomalia para sua visão de mundo. Eles não entenderam como você fez. Eles eram ingênuos em sua caracterização do mundo. Eles queriam que todos segurassem as mãos, mas você sentiu que sabia mais. Você foi sábio. Você sabia que na raiz da humanidade não havia gentileza, mas interesse próprio racional.

Você se considera um realista porque ser pessimista carrega muita conotação negativa. Você disse a si mesmo que tinha uma visão de mundo pragmática. Você era o garoto-propaganda da razão e da lógica. Praticidade tornou-se seu atributo definidor.

Como isso te serviu? Como isso ajudou sua situação atual? Como é que a sua devoção à sensibilidade resultou em uma miséria paralisante?

A verdade fundamental é que muito de qualquer coisa nunca é uma coisa boa. Inclinar-se extensivamente em uma direção nunca iria lhe servir bem. Saldo desapareceu do seu vocabulário ao longo do tempo atrás.

Talvez seja hora de você reconsiderar sua posição original. Talvez seja hora de reavaliar sua compreensão do otimismo. Talvez seja hora de mudar.

Há uma ansiedade subjacente que vem com ser um realista. O mundo é definido pela incerteza e essa incerteza pode ser esmagadora para pessoas como você que desejam o controle. É natural, claro. É natural querer buscar respostas para perguntas que não conhecemos. É natural querer manter alguma sensação de estabilidade em um mundo em constante mudança. É natural desejar a razão quando a vida em si não é mais do que uma crise existencial.

É difícil para alguém como você entender isso – aceitar que a vida não é algo que você possa controlar. Você não pode saber todas as respostas. Você não pode resolver todos os problemas com lógica inflexível.

O que você pode controlar, porém, é aceitação. Talvez seja hora de você pegar uma página do livro otimista e escolher o poder da crença. Talvez o interesse próprio exista, mas pode ser um incentivo para resultados coletivamente benéficos. Talvez a lógica não possa resolver tudo e talvez esteja tudo bem. Talvez o controle não seja o objetivo, mas simplesmente viver a vida é.

Então respire fundo. Não há necessidade de ser tão prático e tenso. Dê uma olhada naquele copo à sua frente, aquele copo meio vazio e meio cheio. Dê uma boa olhada nisso, porque a maneira como você observa é irrelevante. O que mais importa é o próximo passo. Tome esse copo e sem pensar mais, tome um gole. Beba até a última gota e comprometa-se a agarrar o momento e extrair cada grama da beleza que é a vida.